A educação de jovens e adultos: histórias e memórias da década de 60

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A história das campanhas e dos movimentos de alfabetização e educação de adultos levados a efeito no Brasil, principalmente depois dos anos 40, e particularmente a história dos movimentos de cultura popular e educação popular criados no início dos anos 60, ainda não fazem parte da História da Educação Brasileira. Nem mesmo a ampla programação desenvolvida pelo Departamento de Ensino Supletivo do MEC nos anos 70, consta dessa história oficial. 

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A história das campanhas e dos movimentos de alfabetização e educação de adultos levados a efeito no Brasil, principalmente depois dos anos 40, e particularmente a história dos movimentos de cultura popular e educação popular criados no início dos anos 60, ainda não fazem parte da História da Educação Brasileira. Nem mesmo a ampla programação desenvolvida pelo Departamento de Ensino Supletivo do MEC nos anos 70, consta dessa história oficial. No entanto, durante muitos anos foram feitos, e ainda hoje continuam a ser feitos, esforços sistemáticos visando recuperar, processar e analisar a documentação existente sobre aquelas campanhas e aqueles movimentos. Complementarmente, muitas das pesquisas realizadas entrevistaram antigos coordenadores e participantes dessas campanhas e movimentos. Vários desses estudos foram publicados em livros, a maioria de difícil acesso, encontrados apenas nas bibliotecas de professores que trabalham as disciplinas de educação de jovens e adultos e de educação popular. O livro de Afonso Celso, decorrente de sua tese de doutorado, é um desses produtos. Apresenta duas experiências: o Sistema Radioeducativo da Paraíba (Sirepa), que até hoje não havia sido estudado, e a Ação Básica Cristã (Cruzada ABC), mediante sua atuação naquele Estado, também pouco estudada. Afonso Celso as situa satisfatoriamente naquele Estado da Federação, mas essas duas experiências estão referidas a movimentos maiores ocorridos no País, como procurarei explicar, na intenção de valorizar o trabalho feito por ele. O Sirepa é uma das expressões do Sistema Rádio-Educativo Nacional (Sirena), criado em 1958, como reforço à Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos, por sua vez criada em 1947. A âncora do Sirena era a Rádio Nacional, no Rio de Janeiro, que se encarregava de radiofonizar e transmitir os programas educativos produzidos por uma equipe pedagógica do Serviço de Educação de Adultos do MEC. Esses programas eram gravados em LP de 12 polegadas, para serem reproduzidos pelas emissoras conveniadas. Além desses discos, o único material didático editado pelo Sirena que se conhece é a Radiocartilha para alfabetização. São poucas as referências sobre os sistemas radioeducativos, embora seja registrada a existência de dezenas deles, implantados do fim dos anos 50 até meados dos anos 60, em convênios com o Sirena (Horta, 1972). Muitos funcionaram em dioceses católicas que dispunham de emissoras, os situados nas Regiões Norte e Nordeste, assim como nos estados de Minas e Mato Grosso, foram absorvidos pelo Movimento de Educação de Base (MEB), criado em 1961 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, com o apoio da Presidência da República. O Sirepa foi o único sistema assumido por uma Secretaria Estadual de Educação, operando com emissora própria e com atuação contínua durante 10 anos. Seu itinerário é paralelo ao dos sistemas do MEB, embora com orientação ideológica diversa, e sua experiência revela traços comuns com eles: montagem efetiva da recepção organizada, com supervisão regular, abandono dos programas educativos produzidos e gravados no Rio de Janeiro e elaboração de programas e material didático próprios. A Sirena foi extinta oficialmente em 1966 e o Sirepa encerrou suas atividades em 1969, sendo, nos últimos anos, progressivamente substituído pela Cruzada ABC. A causa apontada por Horta (1972, p. 108) para o desaparecimento do Sirena também cabe para o caso do Sirepa: “o fato de ser um organismo estatal, estando assim sujeito às oscilações de natureza política”. Quanto à Cruzada ABC, estão claramente informadas por Afonso Celso suas origens no Recife, no Colégio Agnes Erskine, e suas ações nessa cidade e depois no Estado de Pernambuco, no período 1962-1965, assim como as ações desenvolvidas no Estado da Paraíba, de 1965 a 1970, onde teve sua melhor expressão. Reforçando as análises de Afonso Celso, acrescento apenas que, com verbas substanciais da Aliança para o Progresso e contrariando as avaliações negativas da Sudene, a Cruzada desenvolveu ações em outros Estados do Nordeste, especialmente Bahia e Ceará. E, com o apoio obtido dos Ministérios do Planejamento e da Educação – o que lhe permitiu expandir suas atividades com cobertura oficial –, alcançou também os antigos Estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, atuando especialmente em áreas onde havia sido intensa a implantação de sindicatos rurais ou forte atuação de sindicatos urbanos. Além disso, mediante projetos específicos de alfabetização, atuou também na Bahia, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Espírito Santo e Distrito Federal, captando recursos de instituições diversas (Prestes, Madeira, 2001, p. 63). A Cruzada ABC, com forte influência americana, por meio dos missionários protestantes e dos quadros da Aliança para o Progresso, além de proselitista em sua maneira de ser, contrapunha-se frontalmente ao sistema Paulo Freire, tido como expressão maior da metodologia de alfabetização do início dos anos 60. Com essas características, fez regredir a concepção de educação de adultos aos anos 40 e 50. O livro de Afonso Celso Scocuglia constitui-se contribuição valiosa para a recuperação e a divulgação de duas experiências significativas de alfabetização e educação de jovens e adultos. (Osmar Fávero – Agosto de 2003)

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