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Data: 09/12/2009
Mundo em transe
José Eli da Veiga lança livro sobre aquecimento global e ecodesenvolvimentoO LIVRO
“Transe é o estado em que fica quem está para receber a visita de alguma entidade extrassensorial. A palavra tem outros sentidos, mas é esse o que mais se aplica à situação atual, com tudo o que tem de crítica e angustiante”. (Texto do Epílogo). Esse trecho explica a escolha pelo título e indica uma possível interpretação da obra. A economia é justamente sensível às mudanças ambientais às quais estamos vivenciando há tempos e é justamente nesse período de transe que estamos e que precisamos fazer alguma coisa para melhorar nossa qualidade de vida. Melhorar a qualidade de vida das pessoas indica uma automática melhora da economia. Nesse sentido, mudar as formas de medição dos índices econômicos, levando mais a sério as estatísticas ambientais deve ser o início de um caminho a ser perseguido.
Dividida em quatro capítulos, a obra discute a transição ao baixo carbono, a relação contraditória entre crescimento e sustentabilidade, o chamado decrescimento versus a condição estável, e o problema do monitoramento do ecodesenvolvimento.
Todos esses temas são tratados em um cenário preocupante formado por graves ameaças que pairam sobre os seres humanos: o aquecimento global, já irreversível, e milhares de armas atômicas espalhadas pelo mundo, hoje um risco bem maior que o existente nos tempos da Guerra Fria.
Essas ameaças devem ser resolvidas por todos os países. No entanto, os países ricos têm mais capacitação científico-tecnológica e mais capital humano, e devem assumir compromissos de reduzir emissões de gases de efeito estufa, mesmo que não façam parte do grupo pioneiro da industrialização. Daí a importância das discussões que virão com o Acordo de Copenhague.
Veiga considera também que não faz sentido isentar de responsabilidade países ainda não desenvolvidos, como China, Índia, Brasil, Indonésia, África do Sul e alguns outros países da semiperiferia emergente (no caso brasileiro, “o zigue-zague dos posicionamentos diplomáticos só evidencia a ausência de uma estratégia nacional”).
Alguns dados numéricos importantes que aparecem no livro: “as emissões globais oriundas do uso de energias fósseis são hoje 60% superiores às de 1980 e 80% às de 1970. Pior: são 40% superiores às de 1990, ano base do Protocolo de Kyoto”.
O AUTOR
José Eli da VeigaJosé Eli da Veiga, 61, é professor titular da Faculdade de Economia (FEA) e orientador do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da Universidade de São Paulo, colunista do jornal Valor Econômico e da revista Página 22. O desenvolvimento sustentável está no centro de suas preocupações há quase quarenta anos. Seu envolvimento com o tema vem do início dos anos setenta, quando trabalhou na Estação Central de Economia e Sociologia Rural, do Inra-Paris (Instituto Nacional da Pesquisa Agronômica, da França) e apresentou dissertação de mestrado sobre a política rural da Comunidade Europeia. Desde então, é o “ecodesenvolvimento” que dá sentido a todas as suas atividades, tanto como autor, docente e pesquisador, quanto em postos que ocupou na administração pública.
PÚBLICO
Geral, economistas e ambientalistas especialmente
HISTÓRICO DA EDITORA AUTORES ASSOCIADOSISBN: 978-85-62019-07-4
Páginas: 128
Formato: 12x18
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