Sinopse
Seleção de poemas que falam da vida, do amor, dos dramas do mundo atual e evocam o sublime nas coisas simples, provocando sentimentos elevados e educando para a solidariedade. Ilustrações e capa de Betty Oliveira.
23 de abril de 1929:
“A rosa tomou uma terrível insolação: todas as folhas e as partes mais tenras se queimaram e carbonizaram; tem um aspecto desolado e triste [...] Não morreu, ao menos até agora”. (Gramsci, Lettere dal cárcere, p. 268).
1º de junho de 1929:
“Sabe, a rosa reviveu completamente. Desde o dia 13 até 15 de junho, de repente, começou a germinar brotos e depois folhas, até que se tornou completamente
verde” (Idem, p. 285)
O prisioneiro implorou pelas rosas!...
As rosas, as rosas e os cadernos amarram-se
ao único fio - a consciência - sob a pesada sombra
da inclemente e fria condenação ao cárcere.
A liberdade vem ao final de seus dias,
a asa do tempo pouco se estende;
o segredo dos cadernos abriu-se ao mundo.
E só as rosas do cárcere (rosas tão suas!)
Permanecem etéreas
e guardam em silêncio a alma de Gramsci.
Comentários
Maria Aparecida:
“É a aldeia que me devolve o fio da liberdade”. É a aldeia, M. Aparecida, que te fez reconhecer a Aurora da Vida, é a aldeia que te oferece ‘pensar aberto’, é de lá que vem para ti o canto das aves e a natureza que sempre te recebe e te faz lembrar uma infância feliz. Tua poesia canta e encanta.
Não tens medo da métrica ou do verso breve ou longo. Não te assustam os variados ritmos porque a sensibilidade que te envolve se espelha na poesia. E as ‘Rosas do tempo’, a tua metáfora para o “apelo ao mundo que encerra as contradições do tempo que é inexorável diante do próprio homem” está aqui para o nosso deleite para o encontro com o homem alegre e sofrido.
O olhar poeta se estende sobre o mundo, sobre a vida que pulsa, se esvai, se equilibra e assistimos a uma tristeza contida quase invisível que perpassa o verso e que nos surpreende como o estremecer, como o arrepio da vida, de sofrimento ou de morte.
É preciso observar os contrastes vocálicos para identificá-los ali, onde o predomínio das vogais tônicas fechadas esconde essa corrente, bela, cristalina, mas sutilmente nostálgica e triste – “E hoje carrego o alento de sabores tão doces que em meus lábios se prendem”. (Duas vogais tônicas abertas para a claridade e as ‘boas’ lembranças estão submersas neste véu quase invisível). “Amanhã, quem sabe, voltarei mais madura e menos triste (...) Entenderás então porque partir numa noite de festa”. Três acentos se opõem à tristeza expressa – e a evasão é patente. O número de sílabas e a rima, a uniformidade das estrofes são desnecessários nesta poesia que flui e o jogo dos versos longos ou breves acenam para um dizer poético que nos atinge e encanta, acenam para o belo e o delicado. “Vem comigo,/que te carrego/neste abraço/e te apóio/no meu ombro nu. Vem comigo/que nos espera a manhã/daquele lado/onde se derrama a ambrosia/na consagração do amor”.
As imagens tocam o leitor, estão abertas às suas vivências. “É lá/que os seios/oferecem a fecundidade/os deuses/distribuem os sonhos/os pássaros/regressam ao entardecer/enquanto o amor/se unifica em cada par...”.
“E este fugaz momento/nada mais é/do que a bruma na planície/ao amanhecer”. Aí estão a transitoriedade da vida, a saudade e a ‘eterna’ infância que alimento o poeta. E essa doçura, estas imagens, estas cores estão presentes, perpassam as poesias e recortam com nitidez “as rosas colhidas ao longo do caminho”.
Fiquei feliz quando recebi teu livro, o abri na mesma hora e comecei a absorver tanta sensibilidade e beleza.
Grata,
Ely
- Rio Grande do Sul
Profa. Ely Marciniack
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Indíce
Veja o Indice completo deste Livro.
CAPÍTULO 1 – Vários
Gênesis
Espera
Pai
Rosa amarela para uma oferta
Rosas santas
Outonal
Epílogo de abril
Percurso do reverso
Legado
Rosa-dos-ventos
Pés descalços
Saga
Estigma
Humanidade
O fio do labirinto
Alienação
Abismo
Felino e solidão
Lua nova
Erva-doce
Bonequinha de louça
Retrato do álbum
Canção vespertina
Desdita
Dos trigais e dos corvos
Três Marias, três Graças
Mãe África
Viagem
Festa de estrelas
Canção do vento
Feitio
E levou-me pela mão um tempo novo
No fundo de mim mesma
À soleira do destino
Destinação
Flor do Oriente
Poema para a amiga
Aldeã
CAPÍTULO 2 - Casas
A casa germânica
Anotações para um Diário: a Casa de minha infância
CAPÍTULO 3 - Amorosos – amor-rosas
Meu menino
Com novelos de carneirinhos
Bodas
A casa é tua
Cristal
Eu preciso partir
Frutinhos do amor
Ponto de encontro
Café-da-manhã
Toda a luz de teus olhos
Entre roseirais evoco teu amor
Desamor
Síntese
De um pássaro que pousou em minha vida
Final feliz
CAPÍTULO 4 - Pungentes
Crianças, não vereis um país como este!
Lágrimas de chumbo
Meditação sobre uma fotografia do Oriente Médio
Aos pequeninos
Rosas para o Prisioneiro
CAPÍTULO 5 - Saudosos
Lamento de primavera
De verdes esperanças cobriram-se as campinas
Teu último rosto
Meus pais
Vídeo
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